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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010 Comportamento, Consumo, Família, presentes | 05:59

Gorjetas e caixinha de final de ano: dar ou não dar, eis a questão

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                                                                                                                                            Ilustração: Altovolta 

O Brasil está mais próximo da Europa do que dos Estados Unidos quando o assunto é a remuneração de profissionais como garçons, manobristas, empacotadores de compras de supermercado, cabeleireiros, faxineiras.

Enquanto os consumidores americanos cultivam o forte hábito de complementar os valores devidos pelo serviço com uma gratificação proporcional à qualidade do trabalho, os europeus geralmente acham que o justo é pagar o que está sendo cobrado e pronto –até porque, muitas vezes, sobre as contas incidem taxas obrigatórias destinadas a recompensar o profissional, como acontece em bares e restaurantes.

No país, a visão é muito semelhante a essa também.

“Não que o brasileiro não valorize o empenho do profissional que lhe serve –é uma questão de tradição mesmo. E montantes que superem o valor do serviço ou os 10% da gratificação compulsória são vistos como excessivos”, explica Ricardo Antunes, professor titular de sociologia do trabalho da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e autor dos livros “Adeus ao trabalho? Ensaio sobre as metamorfoses e a centralidade no mundo do trabalho” (Editora Cortez) e “Riqueza e miséria do trabalho no Brasil” (Editora Boitempo), entre outros. “Dar gorjeta depende bastante, ainda, do estabelecimento comercial de que se está falando. Certamente, haverá uma distribuição maior de caixinhas em lugares freqüentados pelas classes médias e altas.” E, se o prêmio sempre foi visto como pesado demais para o bolso do consumidor médio, até se espera que, com a melhoria das condições econômicas nacionais recentemente, a generosidade cresça um pouco.

Tais reflexões surgem costumeiramente nesta época do ano junto com as caixinhas e listas de gratificação que se multiplicam por padarias, portarias do prédio em que se vive e do escritório, postos de gasolina, estacionamentos e salões de beleza. Estão em toda parte.

Entretanto, ninguém deve se sentir forçado a colaborar. Menos ainda por julgar que algumas categorias são desfavorecidas. “Os patrões depreciam os salários considerando que a diferença será coberta pela clientela, mas não se pode compactuar com esse estratagema”, diz Antunes.

Os principais critérios para selecionar os agraciados com a caixinha especial de final de ano são, basicamente, o grau de proximidade com o prestador e, claro, a sua eficiência. Executar um bom trabalho é obrigação contemplada pelo salário, porém as doses extras de boa vontade dispensadas podem ser reconhecidas com um premiozinho.

Quanto aos valores, não existe uma regra. “A gratificação pode vir na forma de um arredondamento no último encontro do ano, por exemplo”, sugere a consultora em etiqueta e marketing pessoal Ligia Marques. “Colocar o dinheiro em um envelopinho fica mais elegante caso se queira  presentear fora de uma lista.” Dar o bônus em espécie é interessante porque deixa o trabalhador à vontade para usar o montante da forma que desejar. No entanto, escolher um bom panetone, uma bebida ou uma cesta de alimentos da época é uma bela saída se não há intenção de oferecer quantias muito elevadas.   

A verba para essas gorjetas deve fazer parte do orçamento de Natal da família. Limitando o total que se pode despender, fica mais fácil dividir os montantes entre os prestadores queridos.

Quem são os prestadores de serviço que você gratifica no final do ano? Deixe um comentário!

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50 comentários | Comentar

  1. 10 marcio 17/12/2010 11:22

    não tem que dar nada,a gente ja ta pagando bem caro pelos nossos pedidos.quando não vem estragado!!!!!

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    • Denyse Godoy 17/12/2010 13:14

      No caso de desaprovar um serviço prestado, o consumidor sempre pode se recusar a pagar a taxa.

  2. 9 luiz carlos 17/12/2010 10:48

    Eu não dou nada. Nunca recebi nada de gorgeta ou caixinha. É preciso dar um basta nessa mania que tomou conta no natal.

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  3. 8 HUMBERTO 17/12/2010 10:17

    Não dou caixinha nem gratificação de fim de ano, porque todos que trabalham tem o seu salário alguns ganhando mais outros menos e tem 13º, férias e todos benefícios que é de direito do trabalhador.

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  4. 7 Monique 17/12/2010 8:41

    Não acho correto dar Todos nós ganhamos de acordo com nosso trabalho. Se a empresa para a qual trabalhanos já nos paga, ou o município ou o estado, não sei porque os outros devem complementar com alguma coisa. Devemos aprender a viver com o que temos e não acharmos que cabe aos outros engordar nosso Natal.

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  5. 6 João Carlos 17/12/2010 8:35

    Sempre que possível,dou caixinha quando sou bem atendido.Mas com certeza a caixinha merecida,que dou sem pensar são para os garis,que recolhem durante o ano todo nosso lixo
    tem vizinhos que se escondem,para não dar a caixinha de natal,,fazer o que?aproveito e desejo um Feliz Natal a todos

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  6. 5 Jose Conrado de Almeida 17/12/2010 8:03

    O Zelador do meu condomínio

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  7. 4 Edna 17/12/2010 7:42

    Realmente nós brasileiros estamos mais próximos do raciocínio dos europeus, queremos pagar pelo serviço e ponto.

    Pessoalmente me sinto constrangida ao ver aquelas caixas para colocarmos a gorjeta, realmente não gosto dessa prática. Sempre pensei que o serviço deveria ser cobrado no seu valor e ponto. Se vale 10, 20 ou 50 reais a mais, que se coloque no preço. Concordo até com a cobrança dos 10% nas contas dos restaurantes, embora alguns não façam a devida distribuição desse valor, uma safadeza, mas em se tratando de Brasil, infelizmente temos que achar normal…

    Detesto por exemplo, que os leitores da água e da luz me chamem no portão para pedir a “caixinha”, penso que se o salário deles não é bom, devem procurar outra atividade para fazer, eles “escolheram” trabalhar nisso e existem muitos outros profissionais que não tem essa mesma facilidade de sair pedindo “colaborações para o seu natal”, eu mesma, nunca tive “caixinha” de natal, quando trabalhava.

    Só faço questão de oferecer a famosa “caixinha de natal” para os coletores de lixo, para eles dou uma quantia bem generosa, de resto, procuro pagar corretamente pelos serviços, não fico pedindo desconto, nem pedindo para fazer “fiado”, dando cheques pré-datados ou parcelando, pago pelo serviço, esperando que estejam me cobrando o suficiente.

    Não fazendo parte da nossa cultura, acabamos por não ter certeza de quanto deveríamos oferecer, gerando um constrangimento ainda maior, se oferecemos o que nos é possível, pode ser pouco, se oferecermos um percentual, dependendo do valor do serviço também será pouco, é HORRÍVEL, eu abomino essa prática, prefiro que me cobrem o que acham justo, se eu tiver dinheiro bem, se não, volto outro dia – Simples assim…

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    • Denyse Godoy 17/12/2010 13:16

      Oi, Edna!
      Eu também me sinto super constrangida com as caixinhas e listas. Dou apenas para os porteiros do meu prédio –porque me sinto realmente obrigada a fazê-lo– e para a diarista. Nesse último caso, doum uma cesta legal e uma folga (remunerada) na semana entre Natal e Ano Novo.

  8. 3 Selma 17/12/2010 7:39

    Gratifico aos porteiros do prédio, pq eles recebem nossas encomendas, correspondências, interfonam avisando se pessoas podem subir, abrem a porta do elevador, levam bolsas até o mesmo, e sempre com bom humor e boa receptividade, e principalmente: eles são os primeiros a nos dar um BOM DIA, e por muitas vezes, os últimos a nos dar uma BOA NOITE…Acho que isso faz a diferença de ser merecedor de uma caixinha.

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  9. 2 Lee Brandao 17/12/2010 7:33

    Costumo gratificar a manicure, o posto de gasolina, os meninos do mercadinho onde compro toda semana, o vizinho que me ajuda a conservar um imóvel de minha propriedade e minha empregada (estendendo para o filho). Faço isso com prazer pois são pessoas do meu convívio diário ou semanal, que me atendem muito bem durante o ano todo.

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  10. 1 Francisco Pedro Ramos 17/12/2010 6:54

    Estou com os europeus. Como descendente acredito que já esteja no sangue achar que já pago pelo serviço que me prestam. As leis trabalhistas brasileira já beneficiam os trabalhadores com o décimo terceiro salário. As empresas para poderem pagar o décimo terceiro já embutem esse valor nos seus preços, portanto, se compro, estou colaborando compulsóriamente. Aqui no RJ até os taxistas recebem o 13o por conta das tarifas que são majoradas em dezembro. O carteiro, o lixeiro, a manicure, o cabeleireiro, o trocador de ônibus etc já tem assegurados o seus 13o. Acho muito desagradável a famosa “caixinha” que, muitas das vezes, são quase esfregadas nas nossas caras. Presenteio, aí sim, a quem desejar.

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